Mulher de Bandido

Mulher de bandido

 

Mariposas em Copacabana

Maresia no vidro dos automóveis

Pivetes na avenida & armadilhas nas estradas

 

 

A cuíca ouriça o meu corpo

O apito é mais que um grito

Porrada é uma palavra bonita, aliás,

Bonita pra caralho, que é o melhor dos adjetivos

 

 

Eu sinto medo quando pressinto o perigo

Sinto a falsidade na voz do político

E a maldade nos olhos da freira

 

Sinto malícia na lesa do pivete

Na passada de mão

Na contravenção

 

 

Sinto uma vontade louca de gritar no elevador

De correr pelos corredores

De abrir todas as portas

 

Sinto  a certeza do santo

Na mágica do milagre

O sangue correndo nas veias

 

Sinto a tonteira da cachaça

Nas voltas da cabeça

E sinto não rodar mais

 

Rodar rodar rodar

Rodar e perder o eixo

Rodar e ainda ter peito de rodar mais

 

Às vezes quero sonhar e sonho

Às vezes quero um homem e ganho

Às vezes quero dinheiro e faço

Às vezes quero nobreza e minto

Às vezes eu quero  e não quero

 

Mas o que eu quero de um bandido

Não é só o dinheiro

É a vontade de lutar

 

Bernardo Vilhena

 

 

 

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Hoje, lançamento do livro de contos do Mário Bortolotto

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Quando a delicadeza é capaz de criar tremores

February 20, 2011 2 comments

Eu preciso tomar o cuidado de levar meus óculos escuros pro cinema.  Digo isso porque o diretor de cinema Darren Aronofsky  fez com que eu quase, digo quase, porque, como homem,  tenho a delicadeza de não chorar em lugares públicos. E como cavalheiro aprendi a reservar esse direito as mulheres.

Há dois anos saí do cinema mais que satisfeito depois de ver meu ídolo Mickey Rourke interpretar o Lutador. Sim, pra mim foi fácil colocar esse filme entre os meus preferidos de todos os tempos. Sou fã do Mickey, sou fã da maioria dos filmes de luta, a trilha sonora apresentada foi a mesma que fez minha cabeça na virada dos oitenta pros noventa. Quanto ao Cisne Negro a coisa poderia emperrar nas simples aparências, onde a protagonista é uma bailarina, sim é Natalie Portman, a linda e ótima atriz Natalie Portman, mas uma bailarina poderia acabar com minha vontade de ir ao cinema. Eu que nunca entrei numa sala de espetáculo pra assistir um balé, eu que sequer sei coordenar dois passos.

Não, isso não importa, o que fica é o pesadelo do diretor, o desespero magistral de Nina, o sacrifício, a trilha sonora arrebatadora capaz de criar tremores no mais apático homem das neves. Um incômodo em nossos fantasmas.

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