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Por essas e outras continuo por aqui

Sempre achei uma baita boiolagem essa história de dizer que vai fechar o blog e depois de alguns dias se diz que não teve coragem. Pois é: vou cometer, estou cometendo e cometi essa tremenda baitolagem. Vou continuar com esse blog, porra.

E a culpa é desses dois posts esse que vocês lerão logo abaixo: Esse do Ademir Assunção e o anterior do Bruno Bandido: que me fez um puta prefácio, digno de um bandoleiro.

 

Pinduca, valeu, esse texto tá foda.

 

 

Os Copos de Plástico de Mister Carlaccio

Ontem reli um ensaio de Paulo Leminski chamado “Punk, Dark, Minimal, o homem de Chernobyl”. Talvez os mais novos não tenham essa referência: Chernobyl foi um vazamento de grandes proporções numa usina soviética nos anos 80. Nesse texto Leminski fala sobre o pós-moderno. Na epígrafe, cita um verso do Sting dos tempos do Police: “too much information driving me insane”. Repare bem: o texto é da década de 80. A certa altura, dispara: “o pós-moderno é pré-apocalíptico”. Repare bem 2: na década de 80, o fantasma de uma hecatombe nuclear era uma nuvem negra pairando no céu. Qual é o fantasma deste início de século? Enquanto você pensa aí, sigamos em frente: Leminski diz que a descrença, o cinismo e um certo humor negro se tornaram características irreversíveis do pós-moderno. E aperta o gatilho: “O pós-rir é anárquico-nihilista, um humor sem centro, indiscriminado, cruel, implacável.”

 

Pensando com as idéias de Leminski me ocorre o seguinte: a literatura de Mário Bortolotto, Reinaldo Moraes e Ricardo Carlaccio, então, é pós-moderna. Simplismo, dirão os teóricos! Do pó vieste e ao pó retornarás, responderá o Poderoso Chefão. E enquanto o pó não chega, Ricardo Carlaccio lança mais um livro. O primeiro romance dele. Bruno Bandido escreveu a orelha. Esse texto está desconexo demais? Elementar, meu caro Watson: efeito do pós.

 

 

Ademir Assunção 

 

 

 

A ORELHA ESCRITA POR BRUNO BANDIDO:

 

“Os bons filhos da puta ficaram pra trás. Estão eternizados em personagens melancólicos e cheios de collones nos contos anteriores de Ricardo Carlaccio. Pois, agora, o autor apresenta o seu melhor e mais ácido livro.

 

“Um brinde em copos de plástico” é o submundo da cretinice brasileira sobrevivendo aos tempos – um lugar onde o caráter é apenas algo que se sabe que existe, mas ninguém faz questão de encontrá-lo. De repente uma anã travesti ou um vídeo-maker judeu até podem esbarrar com ele em algum lugar cinza da cidade, mas eles colocarão as possibilidades na manga e deixarão que drinks coloridos ditem o xeque-mate.

 

São personagens desse naipe que o narrador vai apresentando enquanto conta seus sucessos e declínios nessa fábrica de dinheiro e queda que bem podemos chamar Putaria. Jornais populares na maior onda “espreme que sai sangue”, livros de autoajuda plagiados, igrejas que transformam Jesus em ministério, atrizes pornôs que viram estrelas de novela, assassinos profissionais do Acre, empresários da libido e – na sacada mais bem bolada de toda a narrativa – empreendedores da ideologia fajuta chamada Gigababahair, algo muito “pior do que sexo, drogas e rock’n roll.”

 

Ricardo Carlaccio continua firme com seu texto direto coberto de uma aura pulp norte-americana e diálogos cínicos, incorporando agora uma crítica social que beira a tiração de sarro – o que deixa tudo mais divertido, por supuesto. Ele tem a manha de brincar com clichês de maneira sarcástica, tornando quase tátil essa galeria de excentricidades que tão escondidas por aí, entre inferninhos subterrâneos e tudo aquilo que fica por trás das revistas de fofoca.

 

Mas é perigoso pensar que não há bons exemplos nesse mundo criminoso e sacana. Carlaccio sabe que as pessoas são o que são e não podem fazer muito quanto a isso. O negócio é cair e se levantar enquanto ainda dá tempo de fazer o que se é capaz. Os seus personagens, por mais errantes que sejam, estão impregnados desse espírito. E tentam sobreviver à caretice dos tempos na base de porradas e broxadas. Por incrível que pareça, às vezes, quando calham de sobreviver, eles até conseguem brindar a essa conscientização maluca de seguir pagando pelos mesmos erros de sempre. Ou, como diz o autor, se divertir “fazendo da vida um boneco de vodu.”

 

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  1. Pedro Pellegrino
    August 16, 2011 at 5:21 am

    Continua,amici. Ducaraio os textos! Logo mais quero adquirir o livro. Abração.

  2. Giselle
    August 18, 2011 at 6:54 pm

    os dois textos estão muito fodas. falta ler o livro ainda… onde posso achar? 🙂

    • August 18, 2011 at 7:18 pm

      giselle, acabei de mandar um e-mail passando as instruções. abração.

  3. August 25, 2011 at 1:10 pm

    Eu me arrisco a dizer que essa turma é a vanguarda da literatura marginal. Pode soar um tanto quanto um clichêr, mas é a real…..Quero ler o livro, um abração, SS.

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