Archive

Archive for August, 2011

Garotos da Rua Treze

August 21, 2011 2 comments

 

 

Dobrei a esquina e alguns garotos me esperavam com canivetes afiados e navalhas nos cabelos. Eu tinha uma última dose de uísque no bolso da jaqueta jeans e um coturno que pisavaem ciclones. Umsoco inglês no bolso direito e uma porção de aventuras no esquerdo. Alguns sons do demônio no disk man e uma garota de bunda grande pro fim da noite. Eu tinha uma puta vida legal meu brother. Trocaria por uma navalha e canivetes afiados. Garotos têm um trunfo. São imortais.

Categories: Uncategorized

Por essas e outras continuo por aqui

August 13, 2011 6 comments

Sempre achei uma baita boiolagem essa história de dizer que vai fechar o blog e depois de alguns dias se diz que não teve coragem. Pois é: vou cometer, estou cometendo e cometi essa tremenda baitolagem. Vou continuar com esse blog, porra.

E a culpa é desses dois posts esse que vocês lerão logo abaixo: Esse do Ademir Assunção e o anterior do Bruno Bandido: que me fez um puta prefácio, digno de um bandoleiro.

 

Pinduca, valeu, esse texto tá foda.

 

 

Os Copos de Plástico de Mister Carlaccio

Ontem reli um ensaio de Paulo Leminski chamado “Punk, Dark, Minimal, o homem de Chernobyl”. Talvez os mais novos não tenham essa referência: Chernobyl foi um vazamento de grandes proporções numa usina soviética nos anos 80. Nesse texto Leminski fala sobre o pós-moderno. Na epígrafe, cita um verso do Sting dos tempos do Police: “too much information driving me insane”. Repare bem: o texto é da década de 80. A certa altura, dispara: “o pós-moderno é pré-apocalíptico”. Repare bem 2: na década de 80, o fantasma de uma hecatombe nuclear era uma nuvem negra pairando no céu. Qual é o fantasma deste início de século? Enquanto você pensa aí, sigamos em frente: Leminski diz que a descrença, o cinismo e um certo humor negro se tornaram características irreversíveis do pós-moderno. E aperta o gatilho: “O pós-rir é anárquico-nihilista, um humor sem centro, indiscriminado, cruel, implacável.”

 

Pensando com as idéias de Leminski me ocorre o seguinte: a literatura de Mário Bortolotto, Reinaldo Moraes e Ricardo Carlaccio, então, é pós-moderna. Simplismo, dirão os teóricos! Do pó vieste e ao pó retornarás, responderá o Poderoso Chefão. E enquanto o pó não chega, Ricardo Carlaccio lança mais um livro. O primeiro romance dele. Bruno Bandido escreveu a orelha. Esse texto está desconexo demais? Elementar, meu caro Watson: efeito do pós.

 

 

Ademir Assunção 

 

 

 

A ORELHA ESCRITA POR BRUNO BANDIDO:

 

“Os bons filhos da puta ficaram pra trás. Estão eternizados em personagens melancólicos e cheios de collones nos contos anteriores de Ricardo Carlaccio. Pois, agora, o autor apresenta o seu melhor e mais ácido livro.

 

“Um brinde em copos de plástico” é o submundo da cretinice brasileira sobrevivendo aos tempos – um lugar onde o caráter é apenas algo que se sabe que existe, mas ninguém faz questão de encontrá-lo. De repente uma anã travesti ou um vídeo-maker judeu até podem esbarrar com ele em algum lugar cinza da cidade, mas eles colocarão as possibilidades na manga e deixarão que drinks coloridos ditem o xeque-mate.

 

São personagens desse naipe que o narrador vai apresentando enquanto conta seus sucessos e declínios nessa fábrica de dinheiro e queda que bem podemos chamar Putaria. Jornais populares na maior onda “espreme que sai sangue”, livros de autoajuda plagiados, igrejas que transformam Jesus em ministério, atrizes pornôs que viram estrelas de novela, assassinos profissionais do Acre, empresários da libido e – na sacada mais bem bolada de toda a narrativa – empreendedores da ideologia fajuta chamada Gigababahair, algo muito “pior do que sexo, drogas e rock’n roll.”

 

Ricardo Carlaccio continua firme com seu texto direto coberto de uma aura pulp norte-americana e diálogos cínicos, incorporando agora uma crítica social que beira a tiração de sarro – o que deixa tudo mais divertido, por supuesto. Ele tem a manha de brincar com clichês de maneira sarcástica, tornando quase tátil essa galeria de excentricidades que tão escondidas por aí, entre inferninhos subterrâneos e tudo aquilo que fica por trás das revistas de fofoca.

 

Mas é perigoso pensar que não há bons exemplos nesse mundo criminoso e sacana. Carlaccio sabe que as pessoas são o que são e não podem fazer muito quanto a isso. O negócio é cair e se levantar enquanto ainda dá tempo de fazer o que se é capaz. Os seus personagens, por mais errantes que sejam, estão impregnados desse espírito. E tentam sobreviver à caretice dos tempos na base de porradas e broxadas. Por incrível que pareça, às vezes, quando calham de sobreviver, eles até conseguem brindar a essa conscientização maluca de seguir pagando pelos mesmos erros de sempre. Ou, como diz o autor, se divertir “fazendo da vida um boneco de vodu.”

 

Categories: Uncategorized

Brindando em copos de plástico

August 11, 2011 2 comments

Esse blog,  no formato de dois ou três posts por semana, está prestes a não existir mais. O Neal deve tomar outro rumo em breve. Porém eu não tive como resistir diante de um post tão bacana, como o de Bruno Bandido, a respeito do meu novo livro. Um garoto que escreve no naipe de um trickster, e que mandou bala na orelha de “UM BRINDE EM COPOS DE PLÁSTICO.

O Blog do Bruno é: brunobandido.wordpress.com

Brindando em copos plásticos

09/08/2011 por brunobandido

Conheci os textos do Ricardo Carlaccio quando tava procurando escritores bons que curtem os Beats pra fazer uma edição do Língua Pop. Li uns três posts do seu blog Neal Cassady roubou meu Maveco e foi aquele puta prazer de descobrir um cara que fala a minha língua (às vezes é bom encontrar uns malucos que falam nossa língua). Ele topou escrever um relato pro Língua Pop, fugiu do On The Road e falou sobre Big Sur – meu livro preferido do Jack Kerouac – e também leu meu blog e curtiu alguns posts e me mandou pelo correio seu lindo libreto Dois Minutos de Gasolina para a Meia Noite. Gostei tanto que comprei os outros que ainda não tinham esgotado.

Carlaccio escreve seus livros e publica por conta própria e vende pelas ruas de São Paulo ou pela internet. Pois, agora, acabou de sair do forno a sua nova narrativa – e, pra mim, o melhor livro dele – Um brinde em copos de plástico. Inclusive, eu tive a honra de escrever a orelha da bagaça, que vocês podem ler ampliando essa imagem aí de baixo.

Categories: Uncategorized