O gato que ri
Depois de meses volto por aqui, se fosse pra não voltar já teria deletado esse blog. Esses dias fui indagado por uma jornalista?! numa conversa informal, não era entrevista, ainda que fosse seria informal também, por eu não ser dado a outro tipo de discurso. Mas voltamos à jornalista: ela me perguntou, na verdade imperou, sobre meu dever em participar ativamente das redes sociais, afins de divulgar meus livros. Segundo ela, as redes sociais são o novo milagre, bem, discordo quanto ao novo, pois devido a avalanche de informações e novas mídias ocorrentes, a palavra “novidade” se torna desatualizada em questão de dias. Outra discordância é em relação ao milagre, pois não existem milagres nas redes, ao não ser que existam banners, muitos deles depositando uma boa quantidade de grana na conta bancária do dono do gato que pula, ou do pai cafetão do bebê: que tem um raciocínio normal, mas levando em conta o retardamento mental da família e de boa parte dos espectadores ávidos por um vídeo no you tube, esse se torna o gênio da semana.
A tal jornalista crê ingenuamente em milagres e novidades, o que me faz crer que também acreditou em papai noel até perder a virgindade. Mas voltamos a minha descrença em milagres, isso é claro, quando não se trata de gatos que pulam, ou de pequenos gênios do subúrbio. O raciocínio é simples, matemático, e tem o nome de “proporção” e quem não gosta de xadrez, ou acha que matemática é só um emaranhado de continhas do ginásio, está desprezando uma lógica simples e caindo na esparrela da esperança ingênua que beira o boboca, que é esperar das redes sociais o milagre da fama, quando não existe ali, algum retardamento mental, ou a tal unanimidade burra, do impagável Nelson Rodrigues.
Amanhã tem Panelinha Books
Amanhã estarei lá.
Por total falta de tempo reportarei o post da Adriana Brunstein:
Estarão presentes os escritores Luana Vignon, Adriana Brunstein, Ricardo Carlaccio, Pierre Masato, Fernanda D’umbra e Rodrigo Sommer, lendo pequenos excertos acompanhados pelos músicos Luiz Tuti e Eduardo Cabral que dão conta das tradicionais jams na famosa calçada.
Festa com música, poesia e cerveja gelada!!!
Tudo isso na Realejo Livros em parceria com o amigo livreiro José Luiz Tahan.
A livraria fica na Rua Marechal Deodoro nº 02, no Gonzaga
Tel:(13)3289-4935
www.realejolivros.com.br/
Blog de notícias da Editora: http://panelinhabooks.blogspot.com/
Garotos da Rua Treze
Dobrei a esquina e alguns garotos me esperavam com canivetes afiados e navalhas nos cabelos. Eu tinha uma última dose de uísque no bolso da jaqueta jeans e um coturno que pisavaem ciclones. Umsoco inglês no bolso direito e uma porção de aventuras no esquerdo. Alguns sons do demônio no disk man e uma garota de bunda grande pro fim da noite. Eu tinha uma puta vida legal meu brother. Trocaria por uma navalha e canivetes afiados. Garotos têm um trunfo. São imortais.
Por essas e outras continuo por aqui
Sempre achei uma baita boiolagem essa história de dizer que vai fechar o blog e depois de alguns dias se diz que não teve coragem. Pois é: vou cometer, estou cometendo e cometi essa tremenda baitolagem. Vou continuar com esse blog, porra.
E a culpa é desses dois posts esse que vocês lerão logo abaixo: Esse do Ademir Assunção e o anterior do Bruno Bandido: que me fez um puta prefácio, digno de um bandoleiro.
Pinduca, valeu, esse texto tá foda.
Os Copos de Plástico de Mister Carlaccio
Ontem reli um ensaio de Paulo Leminski chamado “Punk, Dark, Minimal, o homem de Chernobyl”. Talvez os mais novos não tenham essa referência: Chernobyl foi um vazamento de grandes proporções numa usina soviética nos anos 80. Nesse texto Leminski fala sobre o pós-moderno. Na epígrafe, cita um verso do Sting dos tempos do Police: “too much information driving me insane”. Repare bem: o texto é da década de 80. A certa altura, dispara: “o pós-moderno é pré-apocalíptico”. Repare bem 2: na década de 80, o fantasma de uma hecatombe nuclear era uma nuvem negra pairando no céu. Qual é o fantasma deste início de século? Enquanto você pensa aí, sigamos em frente: Leminski diz que a descrença, o cinismo e um certo humor negro se tornaram características irreversíveis do pós-moderno. E aperta o gatilho: “O pós-rir é anárquico-nihilista, um humor sem centro, indiscriminado, cruel, implacável.”
Pensando com as idéias de Leminski me ocorre o seguinte: a literatura de Mário Bortolotto, Reinaldo Moraes e Ricardo Carlaccio, então, é pós-moderna. Simplismo, dirão os teóricos! Do pó vieste e ao pó retornarás, responderá o Poderoso Chefão. E enquanto o pó não chega, Ricardo Carlaccio lança mais um livro. O primeiro romance dele. Bruno Bandido escreveu a orelha. Esse texto está desconexo demais? Elementar, meu caro Watson: efeito do pós.
Ademir Assunção
A ORELHA ESCRITA POR BRUNO BANDIDO:
“Os bons filhos da puta ficaram pra trás. Estão eternizados em personagens melancólicos e cheios de collones nos contos anteriores de Ricardo Carlaccio. Pois, agora, o autor apresenta o seu melhor e mais ácido livro.
“Um brinde em copos de plástico” é o submundo da cretinice brasileira sobrevivendo aos tempos – um lugar onde o caráter é apenas algo que se sabe que existe, mas ninguém faz questão de encontrá-lo. De repente uma anã travesti ou um vídeo-maker judeu até podem esbarrar com ele em algum lugar cinza da cidade, mas eles colocarão as possibilidades na manga e deixarão que drinks coloridos ditem o xeque-mate.
São personagens desse naipe que o narrador vai apresentando enquanto conta seus sucessos e declínios nessa fábrica de dinheiro e queda que bem podemos chamar Putaria. Jornais populares na maior onda “espreme que sai sangue”, livros de autoajuda plagiados, igrejas que transformam Jesus em ministério, atrizes pornôs que viram estrelas de novela, assassinos profissionais do Acre, empresários da libido e – na sacada mais bem bolada de toda a narrativa – empreendedores da ideologia fajuta chamada Gigababahair, algo muito “pior do que sexo, drogas e rock’n roll.”
Ricardo Carlaccio continua firme com seu texto direto coberto de uma aura pulp norte-americana e diálogos cínicos, incorporando agora uma crítica social que beira a tiração de sarro – o que deixa tudo mais divertido, por supuesto. Ele tem a manha de brincar com clichês de maneira sarcástica, tornando quase tátil essa galeria de excentricidades que tão escondidas por aí, entre inferninhos subterrâneos e tudo aquilo que fica por trás das revistas de fofoca.
Mas é perigoso pensar que não há bons exemplos nesse mundo criminoso e sacana. Carlaccio sabe que as pessoas são o que são e não podem fazer muito quanto a isso. O negócio é cair e se levantar enquanto ainda dá tempo de fazer o que se é capaz. Os seus personagens, por mais errantes que sejam, estão impregnados desse espírito. E tentam sobreviver à caretice dos tempos na base de porradas e broxadas. Por incrível que pareça, às vezes, quando calham de sobreviver, eles até conseguem brindar a essa conscientização maluca de seguir pagando pelos mesmos erros de sempre. Ou, como diz o autor, se divertir “fazendo da vida um boneco de vodu.”
Brindando em copos de plástico
Esse blog, no formato de dois ou três posts por semana, está prestes a não existir mais. O Neal deve tomar outro rumo em breve. Porém eu não tive como resistir diante de um post tão bacana, como o de Bruno Bandido, a respeito do meu novo livro. Um garoto que escreve no naipe de um trickster, e que mandou bala na orelha de “UM BRINDE EM COPOS DE PLÁSTICO.
O Blog do Bruno é: brunobandido.wordpress.com
Brindando em copos plásticos
09/08/2011 por brunobandido
Conheci os textos do Ricardo Carlaccio quando tava procurando escritores bons que curtem os Beats pra fazer uma edição do Língua Pop. Li uns três posts do seu blog Neal Cassady roubou meu Maveco e foi aquele puta prazer de descobrir um cara que fala a minha língua (às vezes é bom encontrar uns malucos que falam nossa língua). Ele topou escrever um relato pro Língua Pop, fugiu do On The Road e falou sobre Big Sur – meu livro preferido do Jack Kerouac – e também leu meu blog e curtiu alguns posts e me mandou pelo correio seu lindo libreto Dois Minutos de Gasolina para a Meia Noite. Gostei tanto que comprei os outros que ainda não tinham esgotado.
O Carlaccio escreve seus livros e publica por conta própria e vende pelas ruas de São Paulo ou pela internet. Pois, agora, acabou de sair do forno a sua nova narrativa – e, pra mim, o melhor livro dele – Um brinde em copos de plástico. Inclusive, eu tive a honra de escrever a orelha da bagaça, que vocês podem ler ampliando essa imagem aí de baixo.
Tô quase sem tempo pra escrever por aqui. Tô escrevendo uma nova narrativa, em fase de acabamento. Lançarei nos próximos meses. Até mais.
Picanha x TV DINNER
E books, Ipeds, Tablets, Iphones, twitter e facebook, torrent, dowloads gratuitos, assinaturas mensais… Cadê meu bip, eu esqueci o meu no banco do ônibus. Uma avalanche de informações, esquemas legais pra baixar música. Bacana, não dispenso. Mas ainda é aquele garoto que vinha com a sacola cheia de vinis e livros, sim, ainda é ele que vai sacar mais das coisas.
Com todas essas novidades penso que o blog está prestes a se tornar um dinossauro. Textos um pouco maiores, nem pensar, parece pesar cada vez mais nos olhos de quem lê.
A new wave agora é o facebook.
Filas de antenados pra assistir a rede social, o correspondente prafrentex da década de oitenta, mais autista e sem pastilha mentex pra aliviar o bafo.
Você vai saber a hora exata em que seu amigo virtual caga, onde ele bebe ou se entrou de vez num programa de abstenção. Isso pode ter lá seus benefícios, porque de acordo com seu simancol você pode evitar certas indelicadezas. Você pode escolher seus amigos virtuais por categoria, evitando combinações absurdas num local fechado. Por essa via pode evitar de antemão assuntos indesejáveis de acordo com cada grupo.
Não, não estou preocupado com a derrota das relações humanas. Estou preocupado com a falta de montanhas pros eremitas e na pior das hipóteses, com a extinção de spiders jurusaléns num futuro próximo.
Vamos lá, amem uns aos outros e se esqueçam de respeitar a massa cinzenta que existe aí dentro.
Roupa passada e limpinha assim como a mamãe mandou. E não se faça de sonso porque já foi avisado
Troque sua picanha por TV Dinners. Não perca tempo. Afinal de contas tempo é grana.
E os patrocinadores sabem muito bem disso.
Mulher de Bandido
Mulher de bandido
Mariposas em Copacabana
Maresia no vidro dos automóveis
Pivetes na avenida & armadilhas nas estradas
A cuíca ouriça o meu corpo
O apito é mais que um grito
Porrada é uma palavra bonita, aliás,
Bonita pra caralho, que é o melhor dos adjetivos
Eu sinto medo quando pressinto o perigo
Sinto a falsidade na voz do político
E a maldade nos olhos da freira
Sinto malícia na lesa do pivete
Na passada de mão
Na contravenção
Sinto uma vontade louca de gritar no elevador
De correr pelos corredores
De abrir todas as portas
Sinto a certeza do santo
Na mágica do milagre
O sangue correndo nas veias
Sinto a tonteira da cachaça
Nas voltas da cabeça
E sinto não rodar mais
Rodar rodar rodar
Rodar e perder o eixo
Rodar e ainda ter peito de rodar mais
Às vezes quero sonhar e sonho
Às vezes quero um homem e ganho
Às vezes quero dinheiro e faço
Às vezes quero nobreza e minto
Às vezes eu quero e não quero
Mas o que eu quero de um bandido
Não é só o dinheiro
É a vontade de lutar
Bernardo Vilhena
Hoje, lançamento do livro de contos do Mário Bortolotto
Quando a delicadeza é capaz de criar tremores
Eu preciso tomar o cuidado de levar meus óculos escuros pro cinema. Digo isso porque o diretor de cinema Darren Aronofsky fez com que eu quase, digo quase, porque, como homem, tenho a delicadeza de não chorar em lugares públicos. E como cavalheiro aprendi a reservar esse direito as mulheres.
Há dois anos saí do cinema mais que satisfeito depois de ver meu ídolo Mickey Rourke interpretar o Lutador. Sim, pra mim foi fácil colocar esse filme entre os meus preferidos de todos os tempos. Sou fã do Mickey, sou fã da maioria dos filmes de luta, a trilha sonora apresentada foi a mesma que fez minha cabeça na virada dos oitenta pros noventa. Quanto ao Cisne Negro a coisa poderia emperrar nas simples aparências, onde a protagonista é uma bailarina, sim é Natalie Portman, a linda e ótima atriz Natalie Portman, mas uma bailarina poderia acabar com minha vontade de ir ao cinema. Eu que nunca entrei numa sala de espetáculo pra assistir um balé, eu que sequer sei coordenar dois passos.
Não, isso não importa, o que fica é o pesadelo do diretor, o desespero magistral de Nina, o sacrifício, a trilha sonora arrebatadora capaz de criar tremores no mais apático homem das neves. Um incômodo em nossos fantasmas.

